Pesquisa de Percepção sobre o acesso aos alimentos de moradores de favelas brasileiras

Garantir o acesso a alimentos saudáveis nas favelas é proteger a infância

O que chega ao prato não é apenas resultado de uma escolha individual. Em territórios de favelas e periferias, a questão fica ainda mais evidente. A alimentação é consequência de desigualdades históricas, da ausência de políticas públicas e de um ambiente alimentar que induz as famílias ao consumo de opções mais baratas e menos saudáveis.

Quando o território tem o acesso limitado à alimentação adequada, a infância e a democracia alimentar são afetadas.

A Percepção sobre o acesso aos alimentos de moradores de favelas brasileiras é uma pesquisa realizada pelo Instituto Desiderata apresenta os principais achados de um estudo transversal de abordagem quantitativa realizado nas favelas do Caramujo (Niterói), Maré (Rio de Janeiro) e Coque (Recife) para fortalecer políticas públicas que garantam o direito à alimentação adequada e saudável.

A pesquisa teve como objetivo descrever e avaliar o ambiente alimentar, segurança alimentar e nutricional e o estado nutricional de crianças entre 5 e 10 anos residentes dessas favelas.

O que dizem os dados?

O estudo transversal com uma amostra de 900 domicílios com crianças de cinco a dez anos de idade residentes em favelas do Complexo da Maré – RJ (400), Caramujo – RJ (250) e Coque – PE (250) revelou que:

Perfil das entrevistadas:

Escolaridade, trabalho e condições socioeconômicas:

Percepção sobre o ambiente alimentar

Resultados

É fácil comprar frutas, legumes e verduras na minha comunidade

Há muitas opções de frutas, legumes e verduras na minha comunidade

Frutas, legumes e verduras são baratos na minha comunidade

É fácil comprar feijão na minha comunidade

Feijão é barato na minha comunidade

É fácil comprar refrigerantes, sucos de caixinha, sucos em pó e outras bebidas industrializadas na minha comunidade

Há muitas opções de refrigerantes, sucos de caixinha, sucos em pó e outras bebidas industrializadas na minha comunidade

Refrigerantes, sucos de caixinha, sucos em pó e outras bebidas industrializadas são baratas na minha comunidade

Salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, lasanha congelada, entre outros alimentos industrializados são baratos na minha comunidade

Hábitos de compra de alimentos

Resultados

Costume de comprar alimentos em locais perto do domicílio

Se compra perto do domicílio, na maioria das vezes, são frutas, legumes e verduras

Acesso aos alimentos

Resultados

Estabelecimento em que é comprada a maior parte dos alimentos

Como se desloca até o estabelecimento em que é comprada a maior parte dos alimentos

Distância a pé até o estabelecimento em que é comprada a maior parte dos alimentos

Aspecto mais importante para tomar a decisão de onde ir comprar a maior parte dos alimentos

Costume de frequentar e comer em cozinhas comunitárias, cozinhas solidárias ou restaurantes populares

Frequenta, compra ou ganha alimentos em hortas comunitárias ou jardins comunitários

Segurança alimentar e nutricional

Resultados

Segurança Alimentar

A família tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.

Insegurança Alimentar Leve

Preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro e a qualidade neste caso, já está comprometida.

Insegurança Alimentar Moderada

Redução quantitativa de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre os adultos.

Insegurança Alimentar Grave

Redução quantitativa de alimentos também entre as crianças. Nessa situação, a fome passa a ser uma experiência vivida no domicílio.

Estado de segurança alimentar e nutricional

60,72%

em insegurança alimentar

Estado nutricional das crianças

Resultados

Distribuição do Estado Nutricional

34,7%

em excesso de peso

Estado nutricional de crianças residentes em favelas do Complexo da Maré no Rio de Janeiro (RJ), Caramujo em Niterói (RJ) e Coque em Recife (PE)

Excesso de peso no Brasil

Crianças de 5 até 9 anos

Consumo de produtos alimentícios ultraprocessados pelas crianças

Alimentação Escolar

Resultados

Crianças matriculadas em alguma creche ou escola

A criança faz alguma refeição na creche ou escola

Refeição que a criança geralmente realiza na creche ou escola

Principais achados

Alimentação escolar como fator de proteção

Facilidade no acesso aos AUPs

Preço como barreira

Presença de insegurança alimentar

Ficha Técnica

Realização:
Instituto Desiderata

Diretoria Executiva:
Renata Couto

Coordenação da Pesquisa:
Luana Lara Rocha

Colaboração técnica:
Ana Silvia Souza de Sena

Equipe Editorial:
Andrea Rangel
Renata Oliveira
Tamires Menezes

Design:
Analítica Comunicação

Fotos:
Vitória Corrêia
Monara Barreto

Apoio:
Instituto Ibirapitanga
Global Health Advocacy Incubator